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A
praia de Guanabara é tombada devido à desova de tartarugas que ocorre
no verão (a partir de setembro). Por isso são proibidos os quiosques e
a iluminação agressiva. Há formações rochosas em alguns lugares que
formam pequenas piscinas na maré baixa para o prazer das crianças. As
ondas são geralmente fracas. O nome se origina do naufrágio do barco
Guanabara cujos destroços podem ser visitados pelos amadores de
mergulho. É um dos últimos refúgios do litoral capixaba para aqueles
que amam a natureza, a tranquilidade, a sensação de liberdade (mar
aberto) e o prazer cada vez mais raro de brincar numa praia limpa e em
águas não poluídas. Restos de mata atlântica enchem de verde grandes
espaços não construídos.
NOSSA PREOCUPAÇÃO
Vai
muito além a de oferecer aos nossos turistas o que acabamos de
descrever. O que era comum no litoral brasileiro há algumas décadas
atrás tornou-se raridade graças ao descaso do poder público e à
especulação selvagem. Embora, teoricamente, as leis pareçam se
preocupar com a preservação do meio ambiente, na prática é o poder
económico que tem prioridade absoluta. Pouco a pouco todo o litoral
brasileiro vai se tornando poluído e descaracterizado.
Por
esse motivo fundamos uma ONG ambientalista e a nossa luta tem sido
árdua. Há poucos quilómetros da nossa praia opera a Samarco Mineração
(Vale do Rio Doce). Essa empresa não esconde o desejo de ver
transformado em "moderno" parque industrial a grande área do seu
entorno e de sua propriedade. Embora negociações com essa finalidade
não sejam mais segredo o que chega ao conhecimento público é a imagem
de uma empresa preocupada com o meio ambiente... A Petrobrás também já
está operando em boa parte do nosso litoral e não muito longe daqui.
Perfurações indicam um grande manancial de petróleo e as nossas
autoridades vêm com gula a possibilidade de trazerem para as nossas
vizinhanças uma grande refinaria de petróleo. Também a Petrobrás,
responsável pelas maiores calamidades ambientais do país preocupa-se em
oferecer ao público uma imagem "VERDE" e isso através de muita
publicidade e custosos patrocínios de programas ambientalistas na TV.
No altar da economia, do poder e da ganância são sacrificados, dia após
dia, nossa flora e fauna, nossa qualidade de vida, nosso clima, nosso
ar e nossa água e, sobretudo, o direito das gerações futuras de
usufruírem um pouco das maravilhas que a natureza nos oferece. De que
direito dilapidamos ou deixamos dilapidar um patrimônio que não
pertence só a nossa geração nem a um grupo de financistas
irresponsáveis e inconscientes?
Ilda de Freitas
Diretora do PROGAIA - PROGRAMA DE AÇÃO E INTERAÇÃO AMBIENTAL
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